05/08/2014

Como não podia deixar de ser, a proposta de aquisição da GVT por parte da Telefónica foi um dos assuntos bastante repercutidos tanto em painéis da ABTA 2014 quanto em coletivas de imprensa e conversas nos corredores da feira.

Para o presidente da Net Serviços, José Félix, uma possível combinação entre as operações da Telefônica/Vivo e da subsidiária da Vivendi no Brasil não mudaria muito o cenário competitivo no País. "Em termos concorrenciais, continua tudo como é hoje: difícil", disse. "São duas empresas que já estão presentes no mercado e com quem já competimos", completou ele, dizendo que prefere competir com quem já conhece como concorrente. Ele se referia a uma outra possibilidade que se cogitava, que era a AT&T, que recentemente adquiriu a DirecTV e, por consequência a Sky no Brasil, fazer um lance pela GVT. "Uma empresa do tamanho da AT&T, sim, mudaria o cenário, mas se estão fazendo algum movimento, estão fazendo em silêncio", pontuou.

O movimento de consolidação que começa a se ver no mercado brasileiro, na opinião de Félix, é um reflexo que ultrapassa a situação econômica. "A consolidação não acontece à toa. Mais do que a economia (desacelerando no Brasil), o setor não está bom. É um negócio que tem tecnologia que muda muito e exige pesados investimentos e a margem tem de existir para pagar esses investim entos e remunerar os acionistas. Sem escala e com margem de 15% ninguém sobrevive nesse negócio, quebra. A margem tem de ser de pelo menos 30%", calcula.

Mais tarde, Félix voltou a tocar no assunto da consolidação durante um painel de que participou: "Essa é uma indústria de investimento intensivo. São R$ 1 bilhão, R$ 3 bilhões. Somando o que Claro, Embratel e Net investem, dá R$ 9 bilhões, R$ 10 bilhões por ano, e para isso é preciso compensar no volume".

Maior concentração

Carlos Zenteno, presidente da Claro (que assim como a Net é controlada pela América Móvil), reconhece, por sua vez, que a combinação entre Telefônica/Vivo e GVT aumentaria a concentração no mercado. "Os competidores são os mesmos, mas o grupo passaria a ter presença maior em redes cabeadas fora (do estado) de São Paulo e, sem dúvida, o cenário vai mudar, ficar mais concentrado." Questionado por este noticiário sobre uma hipotética aquisição da GVT por uma operadora internacional ainda não estabelecida no Brasil, como a AT&T, Zenteno disse não ter preferência por nenhum dos cenário. "O mundo é pequeno quando falamos de grandes grupos internacionais. Sabemos como a AT&T atua nos EUA e a Telefónica na Europa, são muito fortes. E essa é uma indústria que requer muitos investimentos, precisa de grupos com capacidade técnica e financeira", analisa o executivo, lembrando ainda a possibilidade de o negócio não chegar a ser concluído.

Além disso, Zenteno destacou a forte posição que o grupo América Móvil tem hoje no Brasil. "Temos solução completa em todo o Brasil, com participação muito grande em todos os segmentos, de telefonia fixa e móvel, banda larga e TV por assinatura. Somos um grupo completo".

700 MHz

Sobre o leilão de 700 MHz, que ainda aguarda aprovação do edital pelo Tribunal de Contas da União (TCU), Zenteno preferiu se limitar a dizer que a Claro espera a publicação do edital para avaliá-lo e, a partir disso, esperar um posicionamento da controladora América Móvil. "Ter frequências é sempre bem-vindo e a realização do leilão para nós é uma boa notícia, mas estamos esperando o edital para vermos as condições".

Fonte: Letícia Cordeiro - Teletime