23/07/2014

A fusão entre Oi e Portugal Telecom pode ter sofrido fortes abalos depois de vir a público o empréstimo de quase 900 milhões de euros da PT à Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo, um dos maiores acionistas da tele portuguesa, e o subsequente calote da dívida.

Mas um fato chama a atenção de observadores com bom trânsito junto à operadora brasileira: ao contrário do que aconteceu em 2011, quando a PT assumiu o controle da Oi e logo inundou a operação brasileira com executivos, agora são os executivos brasileiros que começam a desempenhar papeis relevantes no dia-a-dia da Portugal Telecom, inclusive na gestão financeira. Isso mostra que, na prática, o processo de fusão está caminhando, e o lado brasileiro ganha força. E mais: após a crise decorrente do empréstimo, o CEO Zeinal Bava teria se aproximado mais dos acionistas brasileiros, que lhe deram um voto de confiança, relatam estes observadores.

Turbulências

Mas as turbulências para a Oi estão longe de terminar. Além do calote da Rioforte, há ainda problemas decorrentes da operação da Portugal Telecom em Angola. Comenta-se dentro da Oi que hoje a empresa tenha cerca de R$ 4,2 bilhões a menos em disponibilidade de caixa do que imaginava ter quando a fusão se desenhou. E o primeiro problema será o leilão de 700 MHz, agendado para o início de setembro. Muitos analistas do mercado financeiro duvidam que a Oi conseguirá participar da disputa sem um reforço de caixa proveniente do governo, já que seu nível de alavancagem no mercado inviabiliza captações em condições vantajosas. Mas uma injeção de dinheiro do governo brasileiro na Oi, seja na forma de empréstimo, seja na forma de aporte de acionista do BNDES, em um leilão antecipado justamente para reforçar o caixa do governo, e ainda mais em véspera de eleições, é algo bastante complexo. Restaria ainda uma possível ajuda do governo português, que a essa altura corre para salvar o Grupo Espírito Santo.

Fonte: Rubens Glasberg - Teletime