06/03/2015

Líderes de mercado sempre têm a difícil tarefa de manter sua participação de mercado, criando novidades que evitem o avanço da concorrência. Esse não parece, no entanto, ser o caso para o sistema operacional Android, do Google, no Brasil.

Desde que os primeiros telefones com o sistema chegaram ao país, em outubro de 2011, ele vem ganhando espaço.

No impulso mais recente, ele passou a representar 90,8% do mercado de smartphones vendidos no varejo brasileiro, segundo a Kantar Worldpanel. O número se refere ao período de três meses encerrado em janeiro. Em relação a um ano antes, o sistema conseguiu abocanhar quase quatro pontos percentuais a mais de participação. O avanço pode ser explicado pela grande variedade de aparelhos de diferentes marcas e preços disponíveis no varejo que usam o sistema. Os mais procurados custam entre R$ 300 e R$ 600.

No período analisado pela Kantar, o Android só não ganhou espaço do iPhone. Na comparação com o ano anterior, o aparelho da Apple, que usa o sistema operacional iOS, passou de 3,3% para 3,9% de participação. Com esse desempenho, ele passou o Windows Phone, da Microsoft, que passou de 5% para 3,8% do mercado.

O iPhone se beneficiou do barateamento dos modelos mais antigos após o lançamento da versão mais recente, o 6, que começou a ser vendido em novembro. O aparelho mais avançado da companhia não teve um peso tão grande no resultado porque chegou ao país com modelos custando entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, segmento que representa quase nada das vendas de smartphones. A estimativa é que 75% dos telefones inteligentes vendidos no país custam até R$ 1 mil.

O Brasil tem mais de 51 milhões de smartphones em uso hoje, o equivalente a 37% dos 137 milhões de aparelhos celulares do país, segundo a Nielsen Ibope. Até 2017 o número pode chegar a 70 milhões. O número de aparelhos em uso é um pouco menor que o de linhas em serviço divulgado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel ),de 280,7 milhões, porque muitas pessoas usam mais de uma linha em um mesmo aparelho.

O avanço dos smartphones tem afetado o mercado de computadores. Segundo a empresa de pesquisa IDC, as vendas recuaram 26% em 2014, para 10,3 milhões de unidades. A maior queda aconteceu nos computadores de mesa, 31%, para 4 milhões de unidades. Os notebooks tiveram retração de 22%, para 6,4 milhões. Para 2015, a IDC Brasil espera queda de 3% do mercado de PCs no Brasil. "A alta do dólar vai dificultar a recuperação. Isso já se pode notar nas lojas, onde os produtos estão de 15% a 20% mais caros do que seis meses atrás", disse Pedro Hagge, analista da IDC.

De acordo com ele, o consumidor brasileiro é muito sensível a preços e, isso, aliado a instabilidade econômica e a adoção de outros dispositivos, fará com que o mercado de PCs no Brasil termine este ano em baixa.

Fonte: Gustavo Brigatto -Valor Econômico