30/01/2015

O novo ministro das Comunicações, Ricardo Berzoni, não se pronunciou oficialmente ainda sobre a sua visão para o mercado de Telecomunicações no Brasil. Tem preferido falar sobre a Regulação de Mídia, umdos projetos incubidos para a sua pasta no segundo governo Dilma.

As teles pouco tiveram referência nas aparições públicas de Berzoini, mas elas já se movimentam para mostrar seus planos ao Governo.

A consolidação das empresas - que volta à mesa por conta da aprovação davenda dos ativos daPTpela Oi à francesa Altice por 7,4 bilhões de euros - não parece preocupar ao governo. De acordo com fontes da agência Reuters - e confirmando a política já adotada pelo ex-ministro, Paulo Bernardo - 'não há a intenção de intervenção oficial nas negociações entre as empresas privadas'.

O primeiro presidente a ser recebido por Berzoni foio daVivo/ TelefônAicnatonioC,arlosValente.O executivo reportou os planos da operadora, que esse ano, além dos investimentos em 3G e 4G, também vai ficar mobilizada com a integração da GVT, cuja anuência prévia saiu, oficialmente, agora, no fim de janeiro.

Enesta quinta-feira, 29, os presidentes da Oi, Bayard Gontijo, e daTIM, Rodrigo Abreu, que levou o CEO da Telecom Italia, Marco Patuano, também tiveram audiências - separadas - com Berzoni. São as duas operadoras que estão mais envolvidas no processo de consolidação. A Oi quer comprar aTIM, mas aTIM também estaria atenta à possibilidade de incorporar a Oi.

Para Berzoni, o presidente da Oi - que recém-passou pelo turbilhão da venda dos ativos da PT para a francesa Altice - sustentou que a casa está 'sendo arrumada' e que um plano classificado como 'desafiador' foi elaborado para 2015. Já Marco Patuano, presidente da Telecom Italia, dona da TIM, sustentou que aumentará os investimentos no país.

"Nos próximos anos nós vamos ter um diferente padrão de investimentos, mais investimentos nas redes móveis de3G e 4G, números que vamos anunciarem 20 de fevereiro, mas serão números significativos maiores que em 2014", disse. Patuno confirmou que nos mercados internacionais há muita discussão sobre a situação macroeconômica do Brasil, masque isso não preocupa os investidores de longo prazo.

"Isso não é um problema para investidores em infraestruturacomo somos nós evamosaumentar os investimentos, então a nossa confiança no país continua muito grande", disse. "Estamos num momento mágico, os interesses da companhia e do país são iguais", completou. Nenhumdos dois executivos assumiu, no entanto, terem falado sobre a consolidação de empresas com o governo. E o governo, oficialmente, também não quer tocar no assunto, que certamente mobilizará os bastidores e os negócios na área.

Do ponto de vista financeiro, 2015 promete, realmente, desafiar as operadoras. Para a IDC, o serviço 4G vai chegar a 11 milhões de assinantes, umpulo relevante para o serviço. A consultoria Também estimou que a receita com dados móveis crescerá 16,2%, compensando a queda de -1,7% com serviços de voz fixa.

Mas as teles móveis terão de investir para usar a faixa de 700 Mhz e háuma batalha nos bastidores para tentar antecipar a liberação da parte da faixa para o começo de 2016, principalmente, no Rio de Janeiro, por conta das Olimpíadas, que começa no dia 05 de agosto. A Anatel, responsável pelo grupo de Trabalho da TVDigital, é cautelosa e diz queo tempo é 'muito curto' para a migração e não prevê antecipação de prazos.

O mercado brasileiro de tecnologia da informação e telecomunicações (TIC), apesar do ano 'complicado', manterá a tendência de 2014 e vai crescer bem acima do PIB do País em 2015, estima ainda a IDC, mas ficará abaixo do ano passado e não deverá, mais uma vez, atingir dois dígitos, como ocorreu até 2013. A consultoria projeta receitas de US$ 165,6 bilhões, 5% maior que no ano passado. A consultoria ainda não fechou os números de 2014, mas acredita que a expansão ficará entre 7% e 8%.

Fonte: Convergência Digital