08/10/2014

Em aparente contraponto a promessa de universalização do acesso à Internet, o sindicato nacional das empresas de telecomunicações posicionou-se contra a ideia de estender redes de fibras ópticas “no país inteiro”. A lógica é de que não há sustentação em levar uma infraestrutura mais cara a locais onde não há capacidade de pagar por ela.

“Não adianta ‘fibrar’ o Brasil inteiro. Temos que ‘fibrar’ áreas de grande concentração. Fibra óptica, para chegar, tem um custo que não e compensado pela demanda do outro lado. O cara não precisa e não quer. Fibra é fixa. O povo quer é mobilidade”, pontuou o diretor-executivo do Sinditelebrasil, Eduardo Levy.

“A substituição do 3G é mais rápida do que previu a Anatel. Já temos o 4G. Em breve teremos 5G”, enumerou o executivo. Antes, já defendera que “falar e acessar a Internet pelo celular no Brasil é barato”. “Países com infraestrutura muito defasada, a China provavelmente, assim como nós, começa em cima de base móvel. Vamos usar cada vez mais hotspots, locais que permitam entrar na rede fixa através da mobilidade.”

As conexões por meio de fibras ópticas ainda são raras no país – pouco mais de 3% dos acessos em banda larga fixa, segundo a Anatel. Mas os ‘hotspots’ são prática usual, em especial com o uso de WiFi em casa, no trabalho ou locais de lazer. Diferentes estimativas de fabricantes de equipamentos e operadoras indicam que mais de 80% do tráfego de dados dito “móvel” se dá escorado em redes sem fio associadas a uma conexão fixa de banda larga. Também é difícil imaginar que redes 5G dispensem estações radio base conectadas por fibra.

Até aqui, a indicação mais específica sobre uma política para a banda larga a partir de 2015 veio da presidenta e candidata a reeleição Dilma Rousseff, que defende universalização escorada em Lei e cita “expansão da infraestrutura em fibras ópticas”. Marina Silva chegou a falar em Internet como serviço essencial. Aécio Neves fala em “estímulo à infraestrutura de comunicações, com garantia de acesso dos brasileiros a Internet de qualidade e com custo compatível”.

Dilma, em entrevista a ONGs e entidades pró-universalização da banda larga, disparou que as empresas “não vão fazer banda larga sem lei obrigatória. É necessária uma lei com meta clara, no prazo de quatro anos, que defina claramente. O Brasil precisa ter uma meta próxima.” E acrescentou: “É preciso investimento em fibra ótica em 90% dos municípios.”

E para além das promesas, A Anatel também trata do assunto na revisão que faz dos contratos de concessão da telefonia fixa. Por enquanto, prevê obrigar as empresas a levar redes de fibras ópticas aos mais de 2 mil municípios do país que ainda não contam com essa infraestrutura. Segundo a agência, as fibras não alcançam 73% dos municípios das regiões Norte e Nordeste, 42% dos situados no Centro Oeste, 40% no Sudeste e 37% no Sul. Na média nacional, falta fibra em 47% dos municípios brasileiros.

Fonte:Luiz Queiroz e Luís Osvaldo Grossmann - Convergência Digital