10/09/2014

O presidente da Tim no Brasil, Rodrigo Abreu, manteve o tom defensivo nesta quarta-feira (10/09), ao afirmar que o mercado brasileiro de telecomunicações tem escala para suportar "um número razoável de players".

Embora o executivo venha repetindo nas últimas semanas que a companhia não está à venda, a TIM é alvo de uma tentativa de aquisição pela Oi, que pretende fatiá-la com a Claro e a Telefônica/Vivo. "Seria ingênuo imaginar que não haja tendência de concentração (no mercado brasileiro), mas isso não é uma necessidade. Quando se olha para a questão de concentração, se olha para a necessidade de escala", afirmou Abreu, durante o 58º Painel Telebrasil. "O Brasil tem uma escala de mercado interno que equivale à soma de vários países europeus. O Brasil possui condição de ter um número razoável de players", enfatizou.

Na terça-feira (09), à noite, o presidente da Claro, Carlos Zenteno, confirmou que o grupo mexicano América Móvil foi procurado pelo banco BTG Pactual com a oferta da Oi. O executivo avaliou inclusive que o mercado brasileiro de telecomunicações "está muito dividido". Segundo ele, a América Móvil sempre considera oportunidades de consolidação, desde que os valores envolvidos em eventuais negociações sejam razoáveis. Abreu negou que a Telecom Itália já tenha feito uma avaliação do valor da companhia para uma eventual negociação.

Ontem, um investidor italiano disse à agência Bloomberg que a TIM valeria 13 bilhões de euros, equivalentes a 11 vezes o valor da Ebitda da empresa no país. "Essa foi uma avaliação feita por um investidor individual da Telecom Itália, chamado Marco Fossati, mas a posição do grupo controlador continua a mesma: não existe discussão sobre precificação da TIM no Brasil", enfatizou.

Questionado sobre se o valor cogitado por Fossati seria razoável, Abreu voltou a afirmar que a companhia não está à venda, mas admitiu que, caso haja uma proposta oficial da parte da Oi e outras empresas, essa eventual oferta será analisada. "Se existir uma proposta, ela será avaliada pela Telecom Itália, mas ainda não existe. A TIM é a segunda maior operadora do Brasil, líder na modalidade pré-paga e no uso de internet no celular e mantemos nosso compromisso de longo prazo com o país", repetiu.

Telefônica

A subsidiária da Telefónica no Brasil, maior operadora de telefonia celular do país, negou nesta quarta-feira conhecer o plano de Oi e Claro para dividir entre três os negócios da TIM. A Telefônica Brasil fez o esclarecimento em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao ser consultada sobre versões da imprensa brasileira que diziam que as operadoras Telefônica, Oi e Claro pretendem apresentar uma proposta conjunta para adquirir a TIM Brasil e dividi-la entre as três.

"Deixamos claro que desconhecemos a origem das informações publicadas e que não temos conhecimento de qualquer ato, fato ou informação que possa ter gerado essa notícia", segundo o comunicado enviado à CVM. A subsidiária da Telefónica acrescentou que, por enquanto, não tem nada para comunicar ao mercado sobre tais versões.

No mês passado, a Oi informou em comunicado que tinha contratado o banco BTG Pactual para avaliar a possível aquisição da participação da Telecom Italia na TIM.

Nesta semana, porta-vozes de Claro, subsidiária no Brasil do grupo mexicano América Móvil, do multimilionário Carlos Slim, admitiram ter sido consultados pelo BTG Pactual sobre uma possível aquisição conjunta da TIM junto com a Oi.

A Telefônica atualmente negocia a aquisição da brasileira GVT, subsidiária no Brasil da francesa Vivendi, para poder se fortalecer nos mercados de acesso à internet por banda larga e televisão por assinatura no país.

O grupo espanhol está simultaneamente em processo para redefinir suas relações com a Telecom Italia, grupo do qual é acionista, porque os reguladores brasileiros questionam a possibilidade da Telefônica ser parceira ao mesmo tempo da Telefónica Brasil e da TIM, as duas maiores operadoras do país.

Segundo as versões de imprensa desmentidas pela Telefônica, após a proposta conjunta para adquirir a TIM, a Claro ficaria com 40% dessa operadora, a Oi com 35% e a Telefônica com os 25% restantes.

Fonte: Agência EFE e Estadão