09/09/2014

BRASÍLIA - A operadora de telefonia móvel Claro está avaliando a aquisição de parte da concorrente TIM no Brasil. A informação foi confirmada pelo presidente da Claro no país, Carlos Zenteno. De acordo com ele, o banco BTG Pactual procurou a direção da América Móvil, controladora da Claro, para oferecer o negócio.

O executivo titubeou, mas confirmou que a proposta é que a compra seja feita em parceria com outras operadoras, como já vinha sendo falado no mercado. Zenteno não disse, entretanto, se as sócias no negócio seriam mesmo as operadoras Oi e Vivo. “Não entraram em detalhes, pois vários formatos estão sendo avaliados”, disse ele.

Zenteno afirmou que o negócio interessa à Claro, desde que os valores envolvidos sejam “razoáveis”. De acordo com o jornal “O Estado de S. Paulo”, Vivo, Oi e Claro poderiam oferecer algo em torno de R$ 30 bilhões pelo controle da TIM Brasil.

Questionado se realizar a compra fatiada não estaria fora do perfil da empresa, Zenteno justificou a possibilidade ao dizer que as situações de mercado mudam e que o cenário hoje é diferente do de outros tempos. Ele também disse que o mercado brasileiro de telefonia é “muito dividido” e que vê espaço para maior concentração.

Antes dele, o presidente da TIM no Brasil, Rodrigo Abreu, voltou a dizer que a operadora não está à venda e que a empresa mantém seu compromisso de longo prazo com o país. O executivo disse ainda que a TIM irá participar do leilão de 4G na faixa de 700 Mhz, marcado para 30 de setembro.

Já o presidente da Claro não confirmou a participação da empresa. Segundo Zenteno, o conselho da América Móvil ainda está avaliando as regras do leilão. Ele destacou, no entanto, que a oferta do serviço na faixa de 700 Mhz é importante para a companhia e rechaçou a possibilidade de as operadoras se juntarem para boicotar o leilão.

As empresas não gostariam de disputar neste momento a frequência de 700 Mhz, especialmente devido aos altos custos da chamada “limpeza” da faixa, que é ocupada por serviços de TV. O custo da limpeza é estimado em R$ 3,6 bilhões.

Zenteno e Abreu participaram do painel Telebrasil, em Brasília.

Fonte: Murillo Camarotto - Valor Econômico