28/08/2014

Em comunicado ao mercado nesta sexta-feira, dia 29, a Telefônica Brasil detalhou o cronograma estimado da negociação com a Vivendi e os ganhos projetados com a integração da GVT, estimados em 4,7 bilhões de euros por meio de sinergias.

A expectativa é de que o negócio, que prevê o pagamento de 4,66 bilhões em dinheiro, financiado através de um aumento de capital na Telefônica Brasil e 12% da Telefônica/Vivo expandida, seja concluído em meados de 2015, depois que o conselho supervisor da Vivendi aceitou nesta quinta entrar em negociações exclusivas por três meses com a Telefónica. No cronograma, a espanhola estima obter o sinal verde do conselho de empregados da Vivendi após revisão da proposta e posterior aprovação dos acionistas da Telefônica Brasil até outubro deste ano e anuência da Anatel e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em meados do ano que vem.

A Vivendi terá de decidir até a assinatura do contrato definitivo dentro do período de três meses de negociações exclusivas se irá querer trocar uma participação de 4,5% na Telefônica Brasil ampliada em troca da participação de 8,3% no capital votante da Telecom Itália.

O financiamento da oferta em dinheiro que será paga à Vivendi (4,66 bilhões de euros) virá de um aumento de capital da Telefônica no Brasil, sobre o qual a tele espanhola se compromete a subscrever integralmente seu direito de preferência (74%).

Sinergias

Com a integração da GVT, a Telefônica passará a deter 29% das receitas do mercado nacional de telecomunicações, com liderança no segmento de ultra banda larga, além de ser a líder em telefonia móvel com a Vivo, com fortalecimento na estratégia de quad play no País. A ideia é usar a rede de fibra ótica da GVT para conectar sites de telefonia móvel e apoiar a estratégia de 4G da operadora, otimizar a implantação de fibra com a transferência de melhores práticas operacionais da GVT e melhorar a rentabilidade no segmento corporativo e de pequenas e médias empresas (PMEs) fora do estado de São Paulo ao migra para infraestrutura própria.

As sinergias da combinação dos negócios está estimada em, no mínimo, 4,7 bilhões de euros, calculada como valor presente líquido (VPL) dos custos de integração, com ganhos a partir já do primeiro ano. Serão ao menos 3,2 bilhões de euros em sinergias operacionais e de receitas e outros 1,5 bilhão com sinergias financeiras, fiscais e outras.

No detalhe, a Telefônica especifica 600 milhões de euros em sinergias de rede e mais de 300 milhões de euros em outros custos diretos; mais de 1,3 bilhões de euros em Opex (custos operacionais); mais de 1 bilhão de euros em Capex (custos de investimento); e 900 milhões de euros em sinergias em receita.

O run-rate de sinergias operacionais e em receita é de pelo menos 450 milhões de euros ao ano a partir de 2020, com 70% do run-rate até 2017.

Mais números

Juntas, GVT e Telefônica/Vivo terão 101,495 milhões de unidades geradoras de receita (UGRs), incluindo telefonia móvel (líder de mercado com 78,465 milhões de acesos); voz fixa (15,066 milhões – a segunda maior, atrás da Oi, com 17,263 milhões); banda larga (6,566 milhões, atrás da Net/Claro/Embratel, que tem 6,825 milhões); e TV por assinatura (1,398 milhão, atrás da Net/Claro/Embratel – com 9,875 milhões – e Sky – com 5,48 milhões).

Em receita líquida, a Telefônica/Vivo já era a maior operadora brasileira ao final de 2013, com 12,206 bilhões de euros, e passaria a 13,915 bilhões ao somar a receita líquida da GVT. Em segundo lugar no mercado fica o grupo América Móvil (Net/Claro/Embratel), com 11,670 bilhões de euros. O mesmo ocorre com o fluxo de caixa, medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA). Telefônica/Vivo também já tinha o maior EBITDA ao final de 2013, de 3,689 bilhões de euros, e passaria a 4,396 bilhões de euros com a GVT. América Móvel fica em segundo com 2,768 bilhões de euros. Apenas a relação EBITDA/Capex pioraria um pouco com a integração da GVT, de 1,568 bilhão de euros em 2013 para 1,506 bilhão. A segunda melhor relação entre EBITDA e Capex é da TIM, com 470 milhões de euros.

Com a fusão, a taxa crescimento anual composto (CAGR) das receitas da Telefônica Brasil calculado pela empresa passaria de 1,6% ao ano entre 2014 e 2016 para 3,2%; o do fluxo de caixa livre operacional, de 12,9% ao ano para 22,5%; e o do EBITDA, de 4,1% para 5,9% com aumento CAGR de margem EBITDA de 31,2% para 33,9%.

Fonte: Teletime